Coloque o gato da família numa história personalizada para dormir

Como transformar o gato lá de casa em personagem de uma história personalizada que o seu filho vai reconhecer logo.

Coloque o gato da família numa história personalizada para dormir

Quando é o gato que decide a que horas começa a história

São 20:12. O seu filho enfiou-se debaixo do edredão, com o braço meio pendurado fora da cama para que o gato consiga subir. O gato sabe disso, sobe, dá duas voltas e instala-se. O ronronar começa antes mesmo de você ter aberto o livro. Esta cena você já a conhece. O gato da família faz parte do ritual da noite com a mesma certeza com que a luz de presença e o último gole de água fazem parte. É por isso mesmo que colocar o gato dentro de uma história personalizada muda tudo para o seu filho: ele já não adormece apenas ao lado do seu animal, adormece dentro de uma história em que o seu animal tem um papel.

Porque é que o gato merece estar numa história personalizada

O gato não é um simples pormenor decorativo do quotidiano familiar. Para a criança, costuma ser a primeira testemunha do dia, aquele que dorme em cima da camisola esquecida, que se senta sobre os trabalhos de casa, que espera à porta da casa de banho. Quando o seu filho ouve o seu próprio nome numa história personalizada e, na frase seguinte, o nome do gato, cria-se um efeito de ancoragem muito particular. A história deixa de ser uma ficção exterior. Torna-se um prolongamento suave do lar.

Este efeito é ainda mais forte do que com um cão, porque o gato ocupa no quarto um lugar que poucos outros seres ocupam: dorme ali, vigia ali, atravessa ali a noite. A imaginação da criança já lhe atribuiu intenções, segredos, conversas silenciosas. Uma história personalizada limita-se a trazer à superfície aquilo que a criança já pensava por dentro. Os recursos de divulgação pediátrica, como o portal Criança e Família da Sociedade Portuguesa de Pediatria, recordam que a convivência com um animal de companhia estrutura o quotidiano afectivo da criança e contribui para o seu sentido de responsabilidade.

Se você já leu o nosso artigo irmão sobre como pôr o cão na história para dormir, vai notar que o papel do gato é muito diferente. O cão parte em busca, corre, traz. O gato fica, observa, adivinha. É uma distinção que vale a pena conhecer antes de iniciar a criação da história.

Três papéis narrativos em que o gato brilha

O gato sentinela

É o papel que funciona melhor para as crianças que têm um certo medo do escuro. Nesta configuração, o seu gato é colocado como guardião do quarto. Vigia as sombras, escuta os ruídos do corredor, garante que nada de inquietante atravessa a porta. A criança sente-se protegida não por uma personagem abstracta, mas pelo seu próprio gato, aquele que está realmente ao seu lado enquanto ouve a história. Este recurso funciona muito bem numa história do género família ou de fantasia suave, em que o que está em jogo não é uma ameaça mas uma presença reconfortante que vela.

O gato cúmplice do mistério

É o papel preferido das crianças entre os 5 e os 8 anos. O gato vê no escuro, esgueira-se por todo o lado, sabe abrir portas que se julgavam fechadas. Numa história de mistério, torna-se o companheiro de investigação ideal. Enquanto o seu filho herói segue a pista, o gato vai à frente, hesita, mia baixinho a indicar a direcção certa. Este papel valoriza a criança: é ela quem resolve o enigma, mas foi o seu gato que a ajudou a ver o que os adultos não tinham notado.

O gato companheiro de casa

É provavelmente o papel mais subestimado e, ainda assim, o mais verdadeiro. O gato não tem missão. Não persegue nada. Está ali, sobre a almofada, sobre o travesseiro, sobre o cobertor dobrado. A sua simples presença na narrativa basta. Esta configuração funciona muito bem nas histórias do género família ou numa comédia terna em que o gatilho cómico nasce justamente da indiferença soberana do gato perante as peripécias da criança. Não subestime a força deste papel: uma criança adora reconhecer o seu gato exactamente como ele é, sem o forçar numa aventura que não combina com ele.

Como descrever o seu gato à Nanou

A regra é simples: quantos mais detalhes der à Nanou, mais forte será o reconhecimento por parte do seu filho. Eis os elementos que contam.

  • O nome exacto. Mistigri, Caramelo, Pipoca, Mia, Salem, Bolinha. Escreva o nome tal como o usa em casa, com a grafia habitual. É este o nome que será pronunciado pela voz que lê a história, e é este nome que vai accionar o reconhecimento imediato no seu filho.
  • A pelagem. Malhado cinzento, preto e branco, ruivo, cinzento azulado, tartaruga, branco com manchas pretas. Seja preciso. Um gato malhado não é um gato ruivo, e o seu filho sabe-o melhor do que ninguém.
  • O traço de carácter dominante. Calmo, brincalhão, medroso, caçador de moscas, ronronador, distante, agarrado. Basta um único traço, mas bem escolhido. É este traço que vai orientar a forma como a Nanou escreve o papel do gato na história. Um gato medroso não será o sentinela do quarto, será o gato a quem o herói tem de dar coragem. Um gato caçador será o cúmplice do mistério que fareja as pistas.

Também pode mencionar um hábito reconhecível: dorme em cima da máquina de lavar, aparece sempre quando se abre o frigorífico, detesta sacos de plástico que fazem barulho. Um único hábito bem colocado e a criança ri-se em gargalhada, ao reconhecer a sua família dentro da narrativa.

Uma nota: a Nanou deixa que a criança herói apareça com um retrato 3D feito a partir de uma fotografia. Para o gato é diferente: não é preciso enviar fotografia, apenas a sua descrição escrita. O gato aparece nas cenas ilustradas em 3D a partir dos elementos que você descreveu.

Um exemplo concreto: Tomás, 6 anos, e Mistigri

Tomás, 6 anos, vive com o seu gato malhado cinzento chamado Mistigri, bastante curioso, que dorme sempre aos pés da sua cama. Uma noite, Tomás ouve um ruído no sótão, mesmo por cima do seu quarto. Mistigri levanta a cabeça, com as orelhas direitas. Salta da cama, vai até à porta, mia baixinho, espera. Tomás percebe: tem de o seguir.

Na cena seguinte, ilustrada em estilo 3D cinematográfico, vê-se Tomás de pijama, lanterna na mão, a subir as escadas do sótão atrás de Mistigri. O gato avança com segurança. Ele sabe. A porta do sótão abre-se quase sozinha. Lá dentro, silhuetas suaves desenham-se na penumbra.

Mistigri aproxima-se, dá uma pequena patada a uma das silhuetas. É um velho urso de peluche, esquecido ali há anos. Ao lado, uma girafa de pano, e mais ao fundo um coelhinho gasto. Tomás reconhece os seus antigos peluches, aqueles que julgava perdidos. Mistigri esfrega-se no urso como quem diz: estão em segurança, estavam à tua espera.

A cena final: Tomás volta para a cama, com o urso nos braços, e Mistigri já ronrona contra a sua barriga. A história fecha-se num grande plano do gato, de olhos semicerrados, em modo de guardião tranquilo. Três cenas, uma subida suave, uma resolução reconfortante, o gato no centro da narrativa sem exagerar o tom.

FAQ

O meu filho tem vários gatos em casa. Podem aparecer todos na história?

Sim. Pode nomeá-los e descrevê-los a todos. Ao seu critério: ou aparecem todos como uma pequena tribo de gatos secundários, ou você escolhe um único gato principal e os restantes ficam em segundo plano da casa. Para uma história personalizada de 3 ou 6 cenas, um único gato central segura melhor o papel, mas a decisão é sua.

O nosso gato morreu há pouco tempo e o meu filho ainda fala dele. É boa ideia transformá-lo em personagem?

Pode ser, com delicadeza. Uma história personalizada pode servir como homenagem doce, com o gato presente como companheiro de casa ou guardião benevolente. Evite, em contrapartida, géneros de aventura intensa para essa história em particular: um papel calmo e luminoso vai funcionar melhor para acompanhar o seu filho.

O meu gato é muito medroso na vida real. Não daria um bom herói, certo?

Pelo contrário. Um gato medroso é um excelente personagem, porque permite à criança herói assumir o papel protector. É a criança que tranquiliza o gato, lhe mostra o caminho, lhe prova que não há nada a temer. É muito valorizante para uma criança tornar-se a corajosa do seu próprio animal.

Posso descarregar a história para a imprimir?

Sim. Cada história criada na Nanou pode ser descarregada em PDF pronto a imprimir em casa ou numa loja de cópias. O gato do seu filho aparece no PDF exactamente como na versão lida em voz alta pela aplicação.

Crie a história ainda esta noite

O seu gato já lá está, em cima da cama, à espera que você inicie a leitura. Dê-lhe um papel na narrativa. Descreva-o com precisão, escolha um género que combine com ele, deixe a Nanou escrever a cena. O seu filho vai ouvir o nome do gato na voz que lê, e vai perceber de imediato que esta história foi feita para ele.

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